 Seu papel é o
ferecer opções de entretenimento e lazer aos acampantes
Por Luciana Lima ( Jornalista)
Imagine a temporada de férias ou o passeio escolar, em um acampamento, hotel ou camping, sem a presença de monitores recreativos. O que seria divertido, provavelmente, se tornaria algo monótono ou terminaria em confusão.
Mas afinal, o que fazem os monitores? A equipe de monitoria é quem dá vida a acampamentos e outros eventos, pois é ela que oferece opções de entretenimento e atividades de lazere para os acampantes de diferentes interesses; facilita a integração e prioriza a segurança dos clientes.
Para um bom desempenho no trabalho com recreação, os monitores costumam adaptar as atividades de acordo com a estrutura do local, a sua equipe, os materiais disponíveis, a faixa etária e principalmente o tipo e as características do seu público.
Para ser um monitor de lazer é preciso gostar de lidar com pessoas, trabalhar em grupo e estar capacitado. “Hoje,
o conceito de monitor de lazer deixou de ser simplesmente aquela pessoa que sabe fazer palhaçada para animar os clientes. Entre muitas outras características, ele deve ser simpático, divertido, responsável, bem informado, educado, saber tratar as pessoas e ter um excelente conhecimento da parte teórica do lazer, um item importante, que, infelizmente, hoje muitos que atuam na área deixam de lado”, ressalta o professor de Educação Física, Carlos Eduardo Sampaio Verdiani
, dono da empresa Tio Bill Recreação
.
A formação do profissional de lazer está em diversas áreas acadêmicas como: Educação Física, Pedagogia, Hotelaria, Turismo, Artes Cênicas e recentemente, de cursos de graduação, pós e nível técnico específicos em recreação e lazer. Há cursos e treinamentos específicos para esses profissionais. A maioria das empresas prestadoras de serviços na área de recreaçãoenbsp;enbsp;realizam cursos periodicamente.
Normalmente, são abordadas técnicas de passeio escolar, como executar jogos, além de
fundamentos teóricos e práticos para elaboração de atividades esportivas e recreativas em hotéis, acampamentos e eventos variados. “A ciência nessa área tem evoluído com publicações recentes, portanto não há mais espaço para cursos apenas práticos. É necessário que se aborde questões como perfil, postura, significados e especificidades com relação ao local de trabalho”, reforça o professor de Educação Física Maurício Leandro
, o tio Choquito
, como é conhecido.
Ainda não há regulamentação da profissão de monitor de lazer no Ministério do Trabalho. “Nunca houve interesse político, justamente, por ainda, não existir representatividade relevante”, justifica Hubert Krause
, vice-presidente da ABRAE (Associação Brasileira dos Recreadores).
Para ele, que é consultor e o primeiro bacharel em Lazer e Indústria do entretenimento do Brasil, o profissional da área ainda é pouco reconhecido no mercado, pois falta união entre a classe. “A falta de reconhecimento se dá porque a classe mal se comunica entre si, logo, dificulta a integração e a união”, diz.
Carlos Eduardo Sampaio
, o Tio Bill
, informa que o CONFEF (Conselho Federal de Educação Física), por meio do CREF (Conselho Regional de Educação Física) está empenhado para que essa área seja exclusiva do profissional de Educação Física, já que a recreação e lazer é reconhecida como atividade física. “Em última assembléia, o CONFEF conseguiu uma liminar para que os CREFs levem a fiscalização além de academias e afins, para os hotéis de lazer”, diz.
Na opinião de Luiz Aurélio Chamlian
, responsável pela Dinâmicaenbsp;Treinamento e Lazer
, empresa especializada no treinamento de monitores e recreadores, houve um grande avanço para esses profissionais, a saber, pela Classificação Brasileira de ocupações, que considera a profissão. “Entendo que o mercado de uma forma geral não contribui culturalmente para a profissão, pois existe um rótulo do recreador como uma pessoa que faz um trabalho informal e que não requer muito estudo, o que não é verdade”, enfatiza o empresário. “Hoje passamos por um processo de profissionalização em todo o segmento do Lazer, sendo que a tendência é trabalhar neste mercado apenas aqueles que além da prática, conduzem o trabalho com embasamento teórico”, argumenta.
Maurício Leandro
, o tio Choquito
, concorda. Ele diz ainda, que o reconhecimento vem atrelado ao grau de profissionalismo e qualidade do trabalho executado. “Muitas vezes o recreador não dá o máximo de si e espera reconhecimento por isso. Ser recreador requer um conjunto de características e conhecimentos específicos para uma atuação com qualidade plena. Acredito que com a consolidação da ABRE, a conscientização sobre a importância e especificidade do trabalho mude e possamos ter mais valor”, finaliza Maurício.
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